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Programa Cautelar - Pode ou Não Pode Liberdade de Expressão - EP - 1 - 07 Out 2025 - Temporada 4

By 𝓣𝓔𝓢𝓣 𝓒𝓐𝓝𝓐𝓛

Summary

Topics Covered

  • O algoritmo controla-te mais do que tu
  • A desinformação é o maior risco do mundo
  • As redes sociais criam extremistas
  • Bilardários da tecnologia mandiam no mundo
  • A democracia tem prazo de validade

Full Transcript

Estamos neste preciso momento a estrear a quarta temporada do programa cautelar.

E antes de arrancar, arrancar mesmo, eu tinha aqui algumas dúvidas para tirar consigo, que é o que é que eu posso e não posso dizer. Eh, asneiras, bolas, pode.

Ótimo. Eh, caramba pode concano pode bravo.

Aquela, como é que eu aquela que rima como Bruno de Carvalho.

Carvalho pode alguma vez viu o nosso programa?

Claro que sim.

Eu, boa sorte para a terceira, para a quarta temporada.

Muito obrigada. Acho que vamos precisar.

Eh, já recebeu alguma queixa? Nossa,

próxima pergunta. Eu acho que são são da minha família. uma pesquisa e não

minha família. uma pesquisa e não encontramos nenhuma queixa contra o seu programa.

Vamos.

Só por curiosidade, qual é que foi o programa que até hoje teve mais queixas?

O caso que nós tivemos mais queixas até agora ou o conteúdo, digamos assim, que tivemos mais queixas foi o segmento e obrigado mãe que ainda estamos a apreciar. Recebemos mais de 9.000

apreciar. Recebemos mais de 9.000 queixas de cidadãos e claro, nós temos sempre muitas participações contra os reality shows.

Os reality shows é o Bruno Carvalho, não é? Ele dá muito trabalho.

é? Ele dá muito trabalho.

Eh, sim, não.

Sim. Não, acho que é sempre muito importante dizer que hh a ERC não está a deliberar sobre o comportamento do Bruno Carvalho, mas está a deliberar sobre decisões editoriais e responsabilidade

editorial de uma televisão. E

doutora, espera aí, deixa-me só. As

televisões têm então responsabilidade?

Tem, tem.

OK, deixa-me só apontar. Pronto, estava

aqui, agora já estou mais esclarecida.

Senora, o programa vai começar e, portanto, hh, eu sei, como sei que, enfim, a senora, a sua equipa, provavelmente vão ver, trouxe-lhe aqui um chazinho de Camila, porque, enfim,

não sei se vir alguma coisa que possa, quem sabe, enfim, causar algum nervo, alguma, alguma agitação particular. Seora, tem aqui um chazinho

particular. Seora, tem aqui um chazinho de Camila. Ah, e já agora, trouxe também

de Camila. Ah, e já agora, trouxe também um antistresse. No caso de precisar de

um antistresse. No caso de precisar de ficar mais enervada, pode apertar.

Posso apertar? Sim, sim. Bem, vamos a isto.

Obrigada.

Muito obrigada. Obrigadíssimo. Sentem-se

confortavelmente. Muito boa noite. Muito

obrigada por estarem connosco. Estamos

de volta e para as três pessoas que deram pela nossa falta e que perguntaram e que perguntaram porque é que o programa calcular demorou tanto tempo a regressar, a resposta é simples. Nós não

encontramos temas suficientemente relevantes para dedicarmos o programa.

Nada, pessoal, nada, nada. Os últimos

tempos têm sido uma pasmaceira, não é? Television.

não é? Television.

Boa noite. Caiu o governo. Vamos ver.

Donald Trump é de novo presidente dos Estados Unidos.

Não há memória de um apagão desta grandeza em Portugal.

Uma nova vaga de bombardeamentos israelitas.

Que a ministra da saúde diz que não se demite não?

Acho que algo tá a falhar. Para

chegarmos a este ponto.

Quatro bombeiros ficaram feridos no incêndio.

Senhora ministra, eu gostava de lhe perguntar se fosse possível que palavras.

Eu às vezes tenho mais do que fazer do que estar a responder diariamente. Com

todo o respeito.

Milhares de pessoas participaram na manifestação em Lisboa contra o racismo e a xenofobia.

Vem aqui denunciar crimes.

Bastainho aqui. Não sei muito bem porquê.

aqui. Não sei muito bem porquê.

Que não saiam de casa sem o vosso pipi.

Deixa-me tocar na madeira que nem quero ouvir falar nessa palavra. Pode ser um pipi viajado. O humorista brasileiro foi

pipi viajado. O humorista brasileiro foi condenado a mais de 8 anos de prisão.

Os anjos estão ali a passar por trás.

Olha, olha, olha, olha, ol.

Nós não estamos aqui para discutir a liberdade de expressão da qual somos totalmente fãs.

Nos Estados Unidos foi suspenso o programa de Jimmy Kimel.

O senhor deputado tem liberdade de expressão para se exprimir.

Eu não posso. Eu já não posso ser. Posso

falar? Não v entender não sou esposa.

Bom, durante esta pausa, nós assistimos a todos estes acontecimentos com ponderação e eu penso que podemos resumir os últimos 2 anos dizendo o seguinte:

"Mas está todo maluco.

Cá está, cá está. limites da liberdade de expressão. Se vocês repararem, são

de expressão. Se vocês repararem, são muitos, são muitos os casos que nos puseram a debater a liberdade de expressão ultimamente, não é? Pode-se ou

não se pode insultar deputados no parlamento? Pode-se listar nomes de

parlamento? Pode-se listar nomes de crianças? Não se pode ser xenófobo e

crianças? Não se pode ser xenófobo e misógeno nas redes sociais? Não se pode criticar o presidente Trump ou dizer que ele tem uma [ __ ] pequena encarquelhada?

Não se pode dizer que está a acontecer um genocídio na Palestina. Não podemos

denunciar a fome em Gaza provocada pelo governo Netaniau.

Não se pode falar de sexualidade na escola. Quem é que decide? Quem é que

escola. Quem é que decide? Quem é que decide o que é permitido? Quem é que decide o que é discurso de ódio e o que não é? Afinal, vale tudo ou já não se

não é? Afinal, vale tudo ou já não se pode dizer nada?

Fazer uma pergunta. A Miranda diz à Aquina que ela cheira mal da boca. Tá

aqui na diz que ela chama do qu expulse as duas.

Não, não. Compras um pipi para cada uma e

não. Compras um pipi para cada uma e lanças o pipu. Um pipi pronto. Cheirar.

Bem-vindos ao programa Calcular, um programa sofisticado e bem português.

Vamos a isto.

Então, todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente o pensamento pela palavra. pela imagem, bem como o direito

palavra. pela imagem, bem como o direito de se informar e de ser informados sem impedimentos nem discriminações.

Pessoal, é a liberdade de expressão que permite à Cristina Ferreira dizer na televisão que a Quina disse que a Catarina não sei quantas cheira mal o fiofó, não é? Despressão. Ou que nos

permite dizer que sei lá que se o José Rodrigues dos Santos descorasse o cabelo no look platinado Bárbara Bandeira, o telejornal era líder de audiências de certeza.

permite-nos dizer esta babuseira, mas não nos permite dizer, por exemplo, olha porquê? Porque apesar de às vezes não

porquê? Porque apesar de às vezes não parecer, na televisão há regras e dizer algo que as quebra resultaria numa multa da entidade reguladora da comunicação social e eu provavelmente era recambiada

para Joias TV.

E eu não tenho esta manicure sheila de Estarreija, malta. Não tenho. Adorava,

Estarreija, malta. Não tenho. Adorava,

mas não tenho. Ora bem, não podemos incitar ao terrorismo, à violência, ao ódio baseado no gênero, na origem étnica, na religião, deficiência, orientação sexual, etc. Portanto, sim,

exigem muito mais a mim do que aos deputados da nação.

Tem graça, porque é verdade.

A questão é que estas leis todas valem aqui, aqui na televisão. Mas há um mundo melhor telespectadores.

O mundo onde tudo é possível.

Um lugar onde não há amarras, onde podemos ser grunhos à vontade e em troca recebemos atenção e aplausos. Não

estamos a falar do parlamento. Parem com

essa obsessão. Não é isso.

Não, mas não é. Estamos a falar das redes sociais aberto a liberdade de discussão.

Um mundo maravilhoso, uma terra sem lei, onde cada um pode ser e dizer o que quiser. Queres ser totó sete dias por

quiser. Queres ser totó sete dias por semana e ainda ganhar dinheiro com isso?

Este é o teu lugar.

Queres ser labrego e virá? Força

pequenito.

Queres dizer bacuradas preconceituosas a roçar a ilegalidade? Aqui é possível.

Queres queres escrever que a terra é plana e que o maior problema do país é o Carlos Paião que tá a dar aulas de cidadania à crianças trans em Moimenta da Beira? Viva aqui a tua realidade

da Beira? Viva aqui a tua realidade paralela.

Porque não só ninguém te vai impedir como espalhas a tua mensagem e vais encontrar aqui a tua gente. Malta, as

redes sociais, as redes sociais são a rua da ouro em Albofeira em formato digital.

É, é imaginar a rua da Hora com a maior parte da população enfiada lá dentro e mesmo com a tecnologia mais avançada, não se consegue impedir os bêbados de vomitar o multibanco

e ainda lhes dão megafones, não é, para andar tudo à porrada porque porque não gostam do staque do algarvio a cantar de Shir no pub irlandês.

Sim, sim, mas estamos todos lá batidos.

Todos. Pessoal, mais de 70% dos portugueses já usam redes sociais. Sim.

Aquela tia que nos manda memes no WhatsApp com Jesus Cristo abraçado um golfinho também tá agarrada.

70% é muito, não é?

70% é muito, malta. Só fica de fora o quê? O Ricardo Lu Pereira,

quê? O Ricardo Lu Pereira, o Pacheco Pereira e e a Dina Aguiar, não é? O quê? O quê? A Dina tem Instagram?

é? O quê? O quê? A Dina tem Instagram?

Metam já.

Adoro.

Vamos já seguir a Dina Aguiar. Dina

Aguiar. Aliás, um beijo. Anda beijinho

para a Dina. Quando eu disser Dina Aguiar, vocês dizem a maior. Dina

Aguiar.

A maior. Beijinho, Dina. Um grande

abijinho. Agora

queremos só queremos só dar um recadinho, não é, malta? Queremos dar um recadinho para quem faz parte dos corajosos 28% que não tem em redes sociais.

Parabéns.

Parabéns por saberes o que é ir à casa de banho, fazeres o que tens a fazer e sair.

Em vez de ficares a ver TikToks de pessoas a mostrar o compraram na Mercadona até desenvolveres emorroidal. Não sei.

Parabéns. Parabéns por não fazeres ideia quem é o Tiago Grila. Não fazem ideia.

Não fazem ideia. Não sabem.

Parabéns por não saberes o que é um labubu. Parabéns.

labubu. Parabéns.

Parabéns por não teres o cérebro podre e abençoado sejas por não saberes que isto foi a música do verão.

Espera, espera. Foi incrível. Isto era a música do verão e tem versão portuguesa.

Nada bate um jato dois férias. E agora

tu podes poupar 50 paus por pessoa.

Sabes quanto é que isso é por por quatro pessoas?

200.

Hã?

É a música do verão, tem versão portuguesa e tem coreografia.

E parabéns por não saberes.

Parabéns por não saberes que o é o rei do resumindo, parabéns. Parabéns, pessoas

resumindo, parabéns. Parabéns, pessoas sem redes sociais. Dizem que vocês pararam no tempo, nós dizemos, vocês estão à frente, muito à frente do nosso tempo. E sois, sim, verdadeiros heróis,

tempo. E sois, sim, verdadeiros heróis, sem capa, sem smartphone. E para vocês, a nossa mais sentida homenagem em forma de uma bonita canção.

S tão par que este não é o domingão, eu não vou cantar.

Malta, eu não sou de intrigas, mas um estudo recente diz que feitas as contas, um adulto pode passar 88 dias por ano

colado ao telemóvel. E se acham isso exagerado, olha aí, os portugueses já passam mais tempo online do que a dormir. É um facto. Nós somos o segundo

dormir. É um facto. Nós somos o segundo país da Europa que passa mais tempo nas redes sociais. São 10 horas, eu sei que

redes sociais. São 10 horas, eu sei que não parece, mas é, são 10 horas por dia ligados à internet, 2 horas em média ligados às redes sociais. Agora, só

falarmos dos jovens, 40% dos jovens passam mais de cinco, 5 horas por dia na internet, gente. 5 horas diárias

internet, gente. 5 horas diárias a levar com as férias da Kelly Bailey do Lourenço Ortigão.

Faz pior ao cérebro que cheirar diluente. Mais metade dos jovens já

diluente. Mais metade dos jovens já admitiu que quer reduzir o tempo que passa online, mas não conseguem. Então

eu diria que, malta, os telemóveis já deviam vir com estas imagens de fábrica, não é?

Tipo os matos de tabaco, não é? Eu acho

que já era tempo disto acontecer porque parece que temos o telemóvel colado à mão, não é? Isto está tão grave que já tem um nome, sabiam que há o nome? A

ansiedade de não ter o telemóvel por perto ou ficar sem rede ou ficar sem bateria ou sem internet chama-se nomofobia. Sim, seus nomofóbicos todos.

nomofobia. Sim, seus nomofóbicos todos.

Diz que agarramos no telemóvel mais de 150 vezes por dia. Agarramos de fone 150 vezes por dia. Chega a ser parado, não é? Vocês não se riam porque eu sei que

é? Vocês não se riam porque eu sei que há aí dois ou três de vocês acontecerem-se todos na cadeira porque não pegam no telemóvel há 10 minutos.

Olha aí, olha aí tudo a ressacar, não é? Há aí os ladecos assim com

não é? Há aí os ladecos assim com telemóvel ladecos. A ver se eu não vejo

telemóvel ladecos. A ver se eu não vejo seus agarrados, pá.

Aliás, eu aposto, eu aposto que há malta aí em casa a scrollar neste preciso momento, não é? Foram apanhados. Malta,

vejam isto como um teste. Eu sei, malta aqui também sabe. Vocês sabem que conseguem ver este programa até ao fim sem pegar outra vez no telef no telefone. Pode ser. Vamos a isto juntos.

telefone. Pode ser. Vamos a isto juntos.

Bora. Vamos lá. Vocês conseguem? Eu acho

que conseguem. Vamos tentar. Tentamos

então pegar no telefone 150 vezes por dia é grave. É, mas os americanos fazem o

grave. É, mas os americanos fazem o mesmo 205 vezes por dia.

E neste momento as redes sociais já destornaram a televisão com principal meio, onde os camones se informam e acompanham notícias. Pessoal, pensem lá,

acompanham notícias. Pessoal, pensem lá, isto explica tanta coisa, não é? Mas não

é só nos Estados Unidos do Chalupas.

Na Europa, os jovens também já usam as redes sociais como principal fonte de informação sobre assuntos políticos e sociais.

E em Portugal, vamos lá, em Portugal, a televisão, a televisão ainda é ainda é o meio preferido para os jovens se manterem

informados. Portanto, Rodrigo Ges de

informados. Portanto, Rodrigo Ges de Carvalho 1, Ainanas zero. Chá

estamos.

A questão é esta: Se nunca fomos tantos a passar tanto tempo online como agora, é ou não é possível que uma merreca daquele tamanho seja uma máquina de

manipulação de massas? Foi muito brusca.

OK, então vamos por passos. Vamos por

passos. Nós todos sabemos que o uso excessivo das redes sociais provoca dificuldades de concentração. Sabemos

disso, malta. Pior qualidade do sono, ansiedade, potencial bullying, especialmente entre adolescentes, falta de cuidade sexual. Sim, sim, sim. É o

bom e velho ditado. Quanto mais TikTok em cima, menos na rima.

Uma coisa assim, não é bom? Potencia

baixa autoestima afeta a percepção de imagem corporal. Eu acho que já vimos

imagem corporal. Eu acho que já vimos todos miúdas 18 anos com mais botox Lilianças às 81.

Constante comparação com os outros, consumo compulsivo e isolamento. O uso

excessivo das redes sociais provoca sintomas de adição semelhantes aos da toxicodependência distúrbios alimentares depressão autoagressão, exposição a conteúdo

extremista, radicalização. É, parou,

extremista, radicalização. É, parou, parou.

Calma, calma.

O ponto é que até há pouco tempo nós achávamos que isto tudo acontecia porque nós não tínhamos autocontrole, não é?

uma coisa nova a cada 5 segundos estamos todos agarrados à aquilo. Mas nós

sabemos agora que o problema não és tu, o problema é o algoritmo de recomendação. Então é ele que controla

recomendação. Então é ele que controla qual é o próximo conteúdo que vai aparecer à frente quando estás nas redes sociais. Malta, longe vai o tempo em que

sociais. Malta, longe vai o tempo em que só apareciam publicações dos nossos amigos ou das páginas que nós receíamos, sabem? Lembra-se como era? Olha a [ __ ]

sabem? Lembra-se como era? Olha a [ __ ] toda [ __ ] na praia.

Olha só para dizer que eu adoro o nome [ __ ] Adoro. Queria mandar um ganach coração para todas as chanas deste nosso Portugal.

Vamos para Gonchana.

Olha a [ __ ] na praia de raposado. Olha

o Carlos a fazer bung jumping no trancão. Que giro. Agora, agora é mais

trancão. Que giro. Agora, agora é mais assim. Olha a [ __ ] toda [ __ ] na

assim. Olha a [ __ ] toda [ __ ] na praia. O quê? As vacinas causam

praia. O quê? As vacinas causam escorbuto e o paracetamol causa autismo.

Ah! Ah! Um bolo de chocolate.

Olha sem açúcar e com queijo cotaje.

Nunca vou comprar. Ai o bebé do Carlos é super

vou comprar. Ai o bebé do Carlos é super cabeçudo. Car. O quê? O protetor solar

cabeçudo. Car. O quê? O protetor solar causa disfunção irétil. Mas mas onde é que isto vem tudo, não é? De onde é que Porque é que nos aparecem tantos conteúdos de pessoas e páginas que nós não seguimos nem nunca ouvimos falar? Lá

está, porque quem escolhe o que tu vês nas redes sociais já não és tu, é o algoritmo de recomendação e a forma como ele funciona, sabemos agora, é tudo menos inocente. É uma ferramenta de

menos inocente. É uma ferramenta de inteligência artificial que está em todas as plataformas, criada só para aumentar o tempo que tu passas à frente do ecrã, porque nós sabemos que é este o modelo de negócio, certo? A tua atenção

é dinheiro, portanto quanto mais tempo estás lá vidrado, mais anúncios eles podem vender, mais dinheiro fazem. Isto

já sabíamos. Mas deixem-me mostrar-vos o bicho em ação. Imagina quando você não YouTube, não é? ver um vídeo, por acaso.

Parabéns pela escolha.

Quando vocês estão a ver o vídeo no YouTube, humã, quando vês alguma coisa ali ao lado, sabem que tem esta, estes vídeos todos recomendados, é o algoritmo que os escolhe. Por exemplo, agora apecia-me imenso ver aquele vídeo que

diz como assar um frango com um secador de cabelo. Mas não posso, não posso

de cabelo. Mas não posso, não posso porque estou a trabalhar. Agora a

pergunta é, ele só nos recomenda aquilo que nós vamos gostar? A novidade é que não é assim tão simples. Nós sabemos que os algoritmos foram criados para criar dependência. Analisam tudo o que tu vês,

dependência. Analisam tudo o que tu vês, em que conteúdo depois gosto, o que é que tu compras, o que é que tu publicas, o que é que tu comentas, guarda toda essa informação e vai-te sugerindo mais conteúdo parecido com aquilo que tu achas que vais gostar. Por exemplo, se

vocês virem um vídeo da pipoca mais doce, talvez vais gostar da Madeleira Bocais e são pelo menos mais 2 minutos, continua online, certo? Faz sentido.

Então, o algoritmo, se vocês pensarem, sabe mais sobre nós que a nossa vizinha cusca do segundo esquerdo.

Eu atrev-me a dizer que ele sabe mais sobre ti do que a tua própria mãe. Mais.

Ele sabe mais sobre ti do que tu próprio. Ele conhece até aquele lado que

próprio. Ele conhece até aquele lado que não admites a ninguém. Por exemplo, eu nunca admiti, mas eu adoro aqueles vídeos de pessoas a tirar pontos negros e berbulhas.

Eu sei, eu sei. A equipa toda do programa também acha-nos gente e por isso é que pusemos a isto assim. Mas eu

gosto, eu gosto e o meu algoritmo sabe disso. Querem ver mais do meu algoritmo?

disso. Querem ver mais do meu algoritmo?

Ai que vergonha. Sim,

que vergonha que eu sou da igreja.

Ok, então vamos lá. Notícias. Eu vejo

notícias. Cá está. Ohó, olha. Governo

quer facilitar despedimentos por justa causa. Ai, obrigadão. Era tudo o que nós

causa. Ai, obrigadão. Era tudo o que nós precisávamos.

Scroll.

Viram isto? Miúdas aos gritos. Porque

não escalou o labubo verde menta.

Scroll. Uma em cada três pessoas em Gasa não come absolutamente nada há 5 dias.

Scroll, a maior lasanha do mundo é portuguesa.

Scroll. Cientistas das universidades de Oxford e Cambridge prevêm que o mundo vai terminar em 25 anos. Scroll, scroll.

Ah uf.

A Jessica tem ido comprar umas cuecas com a cara do Diogo Amaral.

Adoro Scroll. Conflito militar mais próximo que nunca desde a Segunda Guerra Mundial. Scroll. Preços das casas

Mundial. Scroll. Preços das casas atingem valor record. Scroll. Ai que

giro. Uma manta que parece uma pizza.

Que acho que vou comprar. Acho que sim.

Scroll. As Nações Unidas continuam a pedir donativos para o Sudão.

Scroll.

Que é isto?

Que é isso?

É o quê? Dá-me um gr.

Não doues. Des larga-me.

Como é que não ouvemos todos estar com cérebro podre e a fritar da marmita?

Vamos por partes. Vamos por partes para não assustar já as pessoas que ainda estão connosco a resistir à TVI e que estão a resistir ao suspanse de

descobrir se o segredo do Rubant é que é que tem o pé chato e só faz xixi sentado. É o segredo. Deve ser. Cada

sentado. É o segredo. Deve ser. Cada

algoritmo é diferente, OK? E nós estamos todos em bolhas diferentes. Estamos

todos a receber conteúdos diferentes.

Nós andamos todos, é como se fosse andamos todos em casulos. Malta, por

exemplo, se vês um vídeo de gatinhos fofinhos até ao fim, o algoritmo vai mostrar-te mais desses vídeos. Porquê?

Porque considerou os eficientes para captarem a tua atenção. Compras

maquilhagem, ele dá-te vídeos de moças a pôr três camiões de tiro de base. E se

gostas disso, provavelmente também vais gostar de dancinhas do TikTok, influenciadores e o seu bricolá e o look do dia. Tá certo? Se a tua cena for

do dia. Tá certo? Se a tua cena for ginásio, ele dá-te provavelmente malta a acordar às 5 da manhã para correr a meia maratona, a enfiar sem banhos de gelo,

almoçar seis ovos e três biveda te vai tornar bilionário em três dias.

Se tu usares das redes sociais para ver notícias, então boa sorte, porque não só parece que o mundo está a acabar a toda a hora, como vais inevitavelmente receber informação falsa. O algoritmo

vai sempre dar-nos mais daquilo que nos prende ao ecrã. E é evidente que isto limita a nossa perspectiva do mundo, não é? Priva-nos de outros pontos de vista e

é? Priva-nos de outros pontos de vista e vai, obviamente, polarizar-nos cada vez mais. E isto vale para todos. Isto é,

mais. E isto vale para todos. Isto é,

quem tem, por exemplo, curiosidade por conteúdo xennofo, racista, misógeno, vai receber cada vez mais disto e pode sim cair em verdadeiras espirais de ódio sem querer, porque o algoritmo não tem bolso

la moral, ele não distingue o que é falso ou o que é conteúdo perigoso. Ele

só quer que tu fiques lá colado, custe o que custar. E é aqui que a porca torce o

que custar. E é aqui que a porca torce o rabo. Eu sempre di expressão.

rabo. Eu sempre di expressão.

A porca torce. Mas é verdadeira. Sabiam

esa aí. Isto é ridalmente verdade se vocês tentarem segurar uma porquinha.

Não tem, não sei em que situação é que as pessoas querem agarrar uma porquinha, mas se agarrarem uma porquinha, ela de facto torce efetivamente o rabo. É.

Sigam para mais dicas, malta.

Então, o que te prende ao ecrã não é só o que te interessa, é também o que te choca, o que te indigna e o que te ofende. O conteúdo que chama mais a

ofende. O conteúdo que chama mais a atenção é sempre o conteúdo mais extremado, discurso de ódio e desinformação. Agora, novidade

desinformação. Agora, novidade fresquinha, cá está o foro Económico Mundial que tá aqui, o FEM, que é uma instituição como deve ser, não é?

Cioinho.pt.

Ele considerou a desinformação o risco número um para o mundo neste momento.

Sim, pior que o Secret Story. Pior. As

notícias falsas continuam a espalhar-se muito mais rápido e a chegar a muito mais gente. Aliás, as notícias falsas

mais gente. Aliás, as notícias falsas têm mais 70% de hipótese de serem partilhadas do que uma informação verdadeira, especialmente com tópicos políticos. Agora, não queria ser eu a

políticos. Agora, não queria ser eu a dizer-vos isto, mas se calhar agora é a altura de vos dizer.

Durante a campanha das nossas eleições legislativas, estima-se que a desinformação tem alcançado mais de 6 milhões de pessoas.

Pessoal, 6 milhões dá para encher o Estádio da Luz 88 vezes.

Ah, 6 milhões desinformados. Vamos.

88 vezes 808 quê quê? Ah, é para mostrar.

quê quê? Ah, é para mostrar.

Eh, segundo um estudo da Universidade da Beira Interior em parceria com a entidade reladora da comunicação social, diz que este foi justamente do partido que mais divulgou desinformação e

discurso de ódio durante as eleições.

Eh, curiosamente, foi também o que mais cresceu nos últimos anos. Há lá coisas, não é?

Bom, desinformação é viral. Aliás, só há uma coisa mais viral que desinformação e que a Margarida Corir de Bikini.

O ódio, a raiva, a indignação mobiliza as pessoas, gera reações mais fortes, mais partilhas e mais engajamento.

Aliás, chamam-lhe rage bait. Já ouviram

falar disto? Rage bait.

Rage quer dizer raiva, quer dizer isco.

E é isto mesmo, é um isco. É um isco para te pôr irritado a comentar e a partilhar que nenhum doido. Pessoal,

conteúdos que incitam ao ódio ou à violência mexem mais connosco. É normal,

levam-nos a reagir. Vão ter apoio de um lado, condenação do outro, ambos vão partilhá-la. Resultado, viraliza. Quanto

partilhá-la. Resultado, viraliza. Quanto

mais incendiário e insultuoso, maior probabilidade de se tornar viral. E a

verdade é que muitos políticos, youtubers e influenciadores já perceberam isto e usam-no como estratégia. Sim. Sim. Marisa Adelaide,

estratégia. Sim. Sim. Marisa Adelaide,

Célia, Mónica, Carla, Yuri e Sérgio Alexandre. Isto quer dizer

Alexandre. Isto quer dizer que sempre que vês uma publicação daquela que te põe os nervos em franja e comentas e partilhas, é como se estivesses a fazer uma transferência bancária ao autor e aos donos da

plataforma. Estás a ampliá-la, estás-lhe

plataforma. Estás a ampliá-la, estás-lhe a dar canal, como diria o Ruben T.

E sim.

Mesmo quando achas que estás a partilhar para denunciar e para chamar a atenção das autoridades, acontece na mesma. Hum.

Que é a cred, ponha um pause, ponha um pause, ponho um pause.

Isto é a PJ.

Ó pá, mais vale saberem por mim. Hã,

eram 4 da manhã.

Pá, pessoal, eu tenho a certeza que minaram a bebida. Tenho a certeza. E era

um chá que eu não bebo. Eu eu não, eu não estava a simular nada com estátuas.

O que é que foi?

Acho que não estão a falar de ti. Acho

que estão a falar do que tu estavas a falar.

Ah, do programa. Claro que é separado.

Eu à noite não saio.

Estátuas.

Não não não não não.

Era uma brincadeira.

Então, senhora diretora da Unidade Nacional contra o Terrorismo da Polícia Judiciária, o que é que um cidadão deve fazer quando se depara com conteúdo extremista que considera violento ou

perigoso nas redes sociais? Podem

carregar no play.

Os cidadãos podem e devem denunciar estas situações em primeiro lugar nas plataformas. Por outro lado, eh é

plataformas. Por outro lado, eh é crucial que não haja interação com estes conteúdos. Não se deve partilhar, não se

conteúdos. Não se deve partilhar, não se deve comentar. eh nem pôr likes, porque

deve comentar. eh nem pôr likes, porque isso vai levar a que estes conteúdos sejam ainda mais visíveis, ainda mais partilhados e, portanto, isso deve ser

eh evitado a todo o custo. Se estes

conteúdos configurarem também a prática de um crime, isso deve ser denunciado às autoridades, à Polícia Judiciária, ao Ministério Público. A polícia judiciária

Ministério Público. A polícia judiciária tem piquetes que estão abertos 24 horas em todo o território nacional e e onde as pessoas se podem deslocar

fisicamente, mas também temos eh o nosso site e que tem eh a possibilidade de ser feita uma queixa eletrónica no site da Polícia Judiciária,

www.policiudiciária.pt.

www.policiudiciária.pt.

Cá está. É este, malta. É este o endereço que podem utilizar quando quiserem denunciar conteúdo à Polícia Judiciária. Hum, ainda não foi desta,

Judiciária. Hum, ainda não foi desta, não era para mim. Tá tudo bem. Portanto,

neste momento, os algoritmos são motores de desinformação e instrumentos de radicalização em massa para ideias extremistas. E não foi eu que li isso,

extremistas. E não foi eu que li isso, foi ela, foi esta senhora que é socióloga cátedra em Princeton e Harvard, renome internacional com arte.

Quem ouve Tyler Taylor Swift no duche, não é?

E olha, ela não é a única a dizer isto. A

próxima é Nobel da Paz.

engement over alling todo lado. Todo lado também não.

todo lado. Todo lado também não.

Também aqui no Prior Velho.

na boba bela.

Bom, malta, é isto, não é? As redes

sociais são acusadas de recomendar e de ampliar o conteúdo mais extremista que está online. E o ponto é que está a

está online. E o ponto é que está a chegar muito mais rapidamente a muito mais gente que nunca procuraria este tipo de conteúdo. Olha, outra, as redes sociais não estão só a dar locais de

encontro a extremistas, estão a criá-los.

Eu tenho mais uma moça que eu gostava que vocês conhecessem. Não sei se conhecem. Conhece esta moça?

conhecem. Conhece esta moça?

Malta, Francis Haugan? Malta, malta é a Francisca.

A Francisca é ex-funcionária do Facebook. Hoje ela é whistle blower ou

Facebook. Hoje ela é whistle blower ou em português, ela chibou-se toda do que lá se passar. Chivibou-se toda. Ela

copiou milhares de relatórios internos do Facebook que demonstravam que os donos do Facebook sabiam que a plataforma recomendava e ampliava o discurso de ódio e a desinformação.

E em português marimbaram-se bem para o assunto. Estão a ver? Que é muito

assunto. Estão a ver? Que é muito desagradável. Também não se fala assim

desagradável. Também não se fala assim mal das pessoas. Que é que há mais? Ai

há estes dois fofinhos. Vocês ai são tão, olha são Kaiser e Rus Flash.

São os dois especialistas em política digital e desinformação. E eles

concluíram que utilizadores que imagina começavam a comentar notícias de centro direita, eles passaram a comentar rapidamente em canais de conspiração sionistas racistas

e a criticar a direita tradicional. Ai,

credo. Bom, há mais uma conclusão destes nerds. São um bocado nerds, não é? Que

nerds. São um bocado nerds, não é? Que

talvez mereça a vossa atenção. Eu vou

ler, que eu aprendi a ler ontem e, portanto, vou mostrar.

Um conservador no YouTube está apenas a um ou dois cliqus de canais de extrema direita, teorias da conspiração e

conteúdo radicalizador.

Fica um ambiente estranho, não foi?

Ó pá, então vamos para o TikTok, pá. Não

é TikTok é jovem. Bora então para TikTok. O TikTok nas últimas eleições na

TikTok. O TikTok nas últimas eleições na Polónia favoreceu duas vezes mais conteúdos de extrema direita.

Não melhorou? Pois não?

E pá, então tomem lá medita Pereira toda nua num banho de espuma que salva isto de certeza. Vai, vai, vai, vai.

de certeza. Vai, vai, vai, vai.

Era uma vez um grupo de pesquisadores internos do Facebook resolveram criar um perfil falso com o nome de Carol Smith, em português,

Carolina Silva, e fizeram Carol seguir páginas sobre cristianismo, sim senhor, e conteúdos para OTR. Passados dois dias apenas, a plataforma já estava a direcioná-la e a recomendar-lhe

conteúdos relacionados com Q& Onon. Se

não conhecem, é um dos maiores e mais chanfrados grupos de teorias de conspiração que esteve na origem da invasão do Capitólio. E ao longo dos cinco dias seguintes, Carol continuou a receber convites para se juntar a grupos

extremistas, terroristas e conspiratórios.

Agora, tudo o que foi dito não quer dizer que se te recomendarem uma página de teorias da conspiração, te vais obrigatoriamente tornar neste chalupa de

cornos. Mas o algoritmo funciona

cornos. Mas o algoritmo funciona com a repetição para te deixar mais tempo online. E ao mostrar vídeos todos

tempo online. E ao mostrar vídeos todos a ecar a mesma ideia, isso dá a sensação que a afirmação é aceite por muita gente e faz com que pareça mais verdadeira.

Ah, a propósito, por mais vídeos que vejam de moças e moços bombados a dizer que só deves comer carne ou só carne crua, isso é estúpido e perigoso. Não

usar protetor solar ou dizer que a quimioterapia é ineficaz é desinformação e irresponsabilidade de assassinas. Ah,

e enfiar alho no nariz e clister de café no, enfim. Ó pá, é demente.

no, enfim. Ó pá, é demente.

Ó, ó Benny, desculpa interromper, mas alguém enfiar-lhes no nariz e café no boom só porque viu vídeos no TikTok?

Garante-te que já enviaram piores em orifícios muito piores.

Dita Pereira, senhoras e senhores, já pessoas a enfiar. Bom, as plataformas estão desenhadas para manipular a forma como nós pensamos, como nós compramos e como nós agimos. Ó pá, eu acho que já é

óbvio para todos que o que se passa online influencia ao mundo real. Ó

malta, se não fosse assim, as marcas não andavam todas a pagar a tudo quanto é influenciadora para nos vender aspiradores, gomas que curam os estosolho, rodígios de sushi e delícias do mar no caém. Sim, sim. Há quem faça

pub. É isto. Bom, o que se passa online

pub. É isto. Bom, o que se passa online tem sérias repercussões no mundo real.

Nós já vos falamos noutras temporadas do genocídio em Myanmar. Os motins no Reino Unido, com origem em desinformação em massa nas redes sociais, na Alemanha comprovaram que picos de atividade

antirrefugiados no Facebook previam ataques a refugiados. Enfim, por cá já há mais exemplos do que o tempo que nós temos para vos mostrar, mas podemos só lembrar um adolescente, não sei se ouviram falar disto, em Santa Maria da

Feira, que através das redes sociais convenceu vários menores no Brasil a um massacre escolar em que morreu uma estudante. O outro caso, o grupo Neonazi

estudante. O outro caso, o grupo Neonazi do Telegram, que planeava invadir a Assembleia da República com armas e com bombas, mas que foi apanhado.

A polícia judiciária já disse publicamente que está preocupada e que os algoritmos estão sim a radicalizar cada vez mais jovens. A música agora é a

bofia é quem manda aqui. A quem manda é um bocado isso, malta. É um bocado disso. Tá bom.

disso. Tá bom.

Tá aí.

Reparem como eu f assusto. É a escola morangos com açúcar. Quem fala?

Rita Guerra. Ai a Rita guerra tá tão diferente. Todos vem no fim da noite sem

diferente. Todos vem no fim da noite sem avisar. Dança no silêncio do teu olhar a

avisar. Dança no silêncio do teu olhar a chamar por mim. Rita

Filomena, Rita Guerra, investigadora auxiliar do Centro de Investigação e Intervenção Social do ISCEG.

Pena, não é? Ó, há realmente uma relação entre o que acontece online e no mundo real ou estamos a tripar? Só se for uma bad trip, Filomena, eu diria que há muita evidência científica que nos diz

que há uma forte associação entre pics de crime de ódio online e eventos de crime de ódio offline. E também as estatísticas da justiça nos dizem que nos últimos 5 anos houve um aumento de

cerca de 200% dos crimes de ódio offline. Portanto, eu diria que sim.

offline. Portanto, eu diria que sim.

Ó doutora, as redes sociais estão, de facto, a radicalizar cada vez mais pessoas, inclusivamente pessoas que normalmente não procuravam este tipo de conteúdos mais tremados, na sua opinião?

Sim, houve um exemplo muito clássico que foi feito, eu penso que no TikTok, em que, por exemplo, h surgiam eh eh sugestões de conteúdo altamente misógno e de violência de género, nomeadamente pelo Andrew Tate, h que chegavam a

contas de milhares e milhares de jovens adolescentes, muitas vezes sem eles pesquisarem ativamente estes conteúdos, mas simplesmente por uma espécie de sugestão de semelhança de conteúdos. por

exemplo, um jovem que começasse a pesquisar ou ver vídeos, a prestar mais atenção a conteúdos de hh como aumentar a massa muscular, preocupação com o seu aspecto físico, rapidamente o algoritmo

saltava para sugerir a conteúdos misógenos ou de masculinidade tóxica.

Muito obrigada, Dra. Rita Guerra. Ó

doutora, não lhe consigo mesmo sacar um.

Chega assim cavaleiro andante.

Bora Rita.

Não, Filomena, boas cantorias e tem que ir trabalhar.

Muito obrigada. Um grande aplauso para para Rita. Obrigado falar.

para Rita. Obrigado falar.

Obrigadíssimo, malta. Só dizer, eh, atenção, eh, pá,

malta. Só dizer, eh, atenção, eh, pá, ninguém quer aqui acabar com redes sociais, não é? Até porque nunca sabe quando uma pessoa fica solteira e uma boa foto em biquíni no Instagram não nos resolve a situação. Além disso, eu ainda

há pouco tempo, não sei se viram isto, tentaram banir as redes sociais do Nepal, vocês viram isto? A geração Z mandou abaixo o governo e viraram o país ao contrário. Sim, governo. Vocês não

ao contrário. Sim, governo. Vocês não

queiram irritar a Júlia Palha e a Bárbara Bandeira que elas partem esta mesmo.

Mas afinal quem é que manda nas redes sociais, não é? Quem é que manda?

Eu tenho uma piada muito bonita e muito boa para dizer, mas eu não tenho roupa sem berbotos para andar a frequentar tribunais. Portanto,

tribunais. Portanto, voltamos à pergunta.

Só tenho isto.

Isto é todos os dias, Natal, Páscoa, sempre isto. Não tenho mais nada. A

sempre isto. Não tenho mais nada. A

pergunta mantém-se quem no alto da sua sapiência decide o que pode e não pode nas maiores plataformas de intercomunicação do mundo. Quem cá está,

não são os anjos, mas são uma dupla do inferno.

Elon Musk e Mark Zuckerberg. O que é que eles têm em comum? Cinco coisas. Um, são

donos das maiores redes sociais do mundo. Dois, têm o charme de um pires de

mundo. Dois, têm o charme de um pires de termos.

São dois dos homens mais ricos do mundo.

Eh, um é o ex-marido, o outro é o atual marido de Donald Trump, não é?

E cinco. Ambos querem reduzir a moderação de conteúdo às notas da comunidade. Malta, moderação de

comunidade. Malta, moderação de conteúdo, eu acho que já todos sabemos um bocadinho o que é que é, não é? A

moderação de conteúdo, na verdade, é o ponto G deste programa, não é? São os

moderadores de conteúdo que revêem e que filtram o que está online e que garantem que tudo cumpre as regras. Então, Trump

e Zuckerberg querem reduzir a moderação de conteúdo às notas da comunidade, que são basicamente a oportunidade para todos vocês, para todos os que quiserem poderem decidir o que vale ou não vale nas redes sociais. Tu podes ser um

moderador de conteúdo. Tu podes ser uma moderadora de conteúdo. Tu também, se quiseres, na boa. O Gustavo Santos pode ser o moderador de conteúdo, se quiser.

Agora, chato, já se provou que não funcionam. É, não funcionam. E mesmo

funcionam. É, não funcionam. E mesmo

assim continuam a ser a política de moderação do X, do Facebook e do Instagram nos Estados Unidos. E o Marco Cromo que era a força a implementar isto aqui na Europa. Mas pá, vamos lhe dar

uma oportunidade, não é? Vamos. Suponho

que conheçam o ex-marido Donald Trump, 11 filhos, ya, ele tem 11 filhos, quase a tornar-se o primeiro trilionário da história. Lá, um homem que acumulou

da história. Lá, um homem que acumulou tanta riqueza, que tem tanto poder, quer com certeza promover a paz e o mundo melhor. Vamos ouvir.

melhor. Vamos ouvir.

Musk e Gandy. Descubra as diferenças.

Bom, este senhor continua a ser o dono do X, o antigo Twitter. E não sei se sabem disto, mas logo que ele assumiu a chefia da plataforma, em nome da liberdade de expressão, ele decidiu despedir equipas de cibersegurança e

moderadores de conteúdo. Readmitiu

contas de conspiracionistas e as consequências não se fizeram esperar.

Os termos homofóbicos e transfóbicos aumentaram brutalmente. Enfim, o

aumentaram brutalmente. Enfim, o discurso de ódio na sua generalidade cresceu cerca de 50%.

Tcharã.

É o dono da meta, Marc Zuckerberg. Ele

não tem sobrancelhas. Ah.

pôr uma sobrança também porque não tinham pôr umas sobrancelhas destas, podia ser uma coisa mais subtil, não é?

Não precisa ser o Kim Barreiro.

Bom, bom, é ele quem decide o que vale no Facebook, no Instagram e no WhatsApp.

E curiosamente também tem uma história ardente com o Donald Trump. Eu conto.

Ele chegou a banir o Trump do Facebook.

O Trump ameaçou prendê-lo. O Zuckerberg

deu-lhe 1 milhão para a festa de inauguração e agora são BFFs.

Juro, juro. A TV não pega nisso para uma novela porque não quer. Eu não era tão fixe. Quem é que fazia de Trump? Não é

fixe. Quem é que fazia de Trump? Não é

isto são outras coisas. Portanto,

primeiro acaba-se com os fact checkers e depois, senhor Zuckerber, conte lá.

ach of restrictions topics immigration and gender that are just out of touch with mainstream discourse. What started

as a movement to be more inclusive has increasingly been used to shut down with different ideas and it's gone too far.

Ah, e também é assim, também não são assim todos, todos que têm direito às suas opiniões. Também não são todos.

suas opiniões. Também não são todos.

Não, não. A meta tem removido publicações e suspendido e desativado contas de apoio à Palestina. Aliás, a

Human Rights Watch, que é aqui isto que vocês estão a ver aqui, concluiu que a censura de conteúdos relacionados com a Palestina no Instagram e no Facebook é global.

Ainda estamos no ar. Ai, que bom. Não

estava à espera. Fixe. É, é que isto já aconteceu e acontece com vários temas.

Aliás, esta é a nova liberdade de expressão nos Estados Unidos.

Jornalistas processados, livros banidos, humoristas silenciados. A liberdade de

humoristas silenciados. A liberdade de expressão, em boa verdade, é neste momento a expressão que não critica o presidente. Isto também isto tem lá no

presidente. Isto também isto tem lá no Faroeste americano quer lá saber.

Diz respeito, que lá saber disso para alguma coisa. Mas cuidado agora que ele

alguma coisa. Mas cuidado agora que ele está a perseguir o New York Times obriga jornalistas de televisão a irem-se embora porque não tem as opiniões dele.

Ele a seguir vem a seguir vem atrás de nós. Ele vem atrás de nós. Onde quer que

nós. Ele vem atrás de nós. Onde quer que haja alguém no planeta que Donald Trump ele vai atrás dessa pessoa.

Donal fofinho.

Olha que chatar aí que aqui a bica tá caríssima.

Mas olha, mas se decidir vir para cá e tentar despedir toda a gente, não se esqueça, o meu nome é Sónia Araújo.

Não se esqueça, não é?

Não se esquecer.

Falando em censura, Marco, tem alguma coisa a acrescentar?

A Europa está a institucionalizar a censura. Mas o que é que ele está a

censura. Mas o que é que ele está a falar? Ah, União Europeia quer ser

falar? Ah, União Europeia quer ser xerife no Far oeste digital.

Pergunta Mena fingindo que não tá a escrever este programa há meses e que não sabe perfeitamente que estamos a falar do RSD. Atenção pessoal, RSD não

confundir com LSD, isso é toda uma car, regulamento dos serviços digitais, tá aqui. É esta, é esta a lei que

aqui. É esta, é esta a lei que finalmente vai regulamentar as redes sociais na Europa. Mas é isto a censura?

É isto. Então, não se apoquentem. Eu sei

que estão apocentados. Não se apoquentem porque felizmente eu tenho o número do telefone da vice-presidente da Comissão Europeia para a Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia. Ela é um amor, tenho o número dela. Ela é muito fixe,

mas ela tem uma vida desgraçada, às vezes não atende, mas ela é mesmo querida. E posso lhe ligar e pá,

querida. E posso lhe ligar e pá, resolvemos já isto. Ah, ela adora Rosalia.

adora Rosing good evening commissioner ela tem tradução simultânea, ela percebe super bem português. Senhora comissária, nós

bem português. Senhora comissária, nós acabamos de ouvir Mark Zuckerberg a acusar a União Europeia de censura. A

minha pergunta é: onde é que a moderação acaba e a censura começa? A pergunta é esta: a nossa liberdade de expressão está ou não está em risco?

Of course freedom of speeal values and are very much protecting that rules. So we make sure that we have safe

rules. So we make sure that we have safe and democratic and fair environment also in digital world freedom of speech is protected and also

with online services.

Exatamente. Sora, senor comissária, nós estamos a falar para a geração Instagram e TikTok. Como é que nós explicamos de

e TikTok. Como é que nós explicamos de uma forma muito simples o regulamento dos serviços digitais, o RSD para Totós, tipo as três coisas mais importantes sobre o RSD que as prisas as pessoas

precisam mesmo de saber, senor doora. I

think that most important thing with digital services act that making very clear that everything is illegal in our

societies illegal onl of DSB Instagram obada comissári foi muito querida Tem que haver mãe não

nada tror não é ela já se foi embora já.

Ah, pronto. Um beijinho. Até mal logo.

Ora bem, bispo. Palmas para a senhora comissária. Claro.

comissária. Claro.

Comissária.

Malta, não sei se perceberam, mas des que a União Europeia quer proibir as redes sociais para menores, não é? por

cá. Não sei se viram, mas o nosso presidente, grande Marcelo, promulgou o diploma que vai restringir os os smartphones nas escolas. ver se os putos voltam a ter hábitos mais saudáveis, como tirar bombinhas de mau cheiro, que é muito mais divertido que jogar

Fortnite.

Ah, e há mais um senhor que eu gostava que vocês conhecessem, não sei se conhecem, que é este senhor com ar fofíssimo e amoroso, que também é presidente, mas é o presidente do Supremo Tribunal de Justiça e ele já disse publicamente que

defende maior regulação das redes.

Senhor presidente, we love you. Para frente é que é caminho.

Bom, mas parece que em Portugal este assunto ainda não é urgente para o governo, que é como dizer, ocorrem muitas coisas, mas eu vou dizer que é preocupante. É isso, é

preocupante. Se a maioria da população

preocupante. Se a maioria da população mundial está online de forma massiva e se sabemos que as plataformas estão a radicalizar até pessoas moderadas e a levá-las a espirais de conteúdo

extremista, então eu acho que isto é que chamamos democracia tá com prazo de validade.

Aliás, na nossa própria casa da democracia, o caos ainda não chegou a este ponto, ainda não chegou aqui.

Mas eu acho que podemos todos dizer que já esteve mais longe, malta. Já

já esteve mais longe e quem sabe onde pode chegar muito, muito em breve. Quer

dizer, pode ou não pode? Posso-me

sentar?

Faz favor. E na sua casa também, senhor presidente. Posso?

presidente. Posso?

Nós já estamos a sério mesmo. Já estamos

saber se já estamos em em trabalho de parte. Mas o que é que dá mais trabalho tocar os seus cinco filhos ao 230 deputados?

Os meus cinco filhos já são todos adultos. Tão bem.

adultos. Tão bem.

230 deputados é é bem mais difícil, não é?

É que eu não educo. Eh, não estou ali para educar.

E sabe o que é que me dizem a mim muitas vezes quando ando na rua, o senhor presidente tem muita paciência.

Ir de ténis para o parlamento pode? Eu

sou do Porto, não sei se ténis é mesmo significado sapatilhas. Pode

significado sapatilhas. Pode sapatilhas, croques.

Eh, a partir daqui devemos ter o bom senso.

Levar um borrifador de água, sabe?

daqueles daqueles que se usam para acalmar os gatos, assim, para acalmar uma ou duas pessoas de entre aqueles debates mais intentos, tipo, não está previsto no regimento, mas eu

convido a ajudar à revisão do regimento e se essas matérias ficarem, diria que depois poderão ser usadas, embora eu prefira sempre que haja situações que

seja pelo uso da palavra, pela comorrifador as neiras pode há o conceito de urbanidade e de respeito que está no código de conduta

dos deputados que dizem que se devem dirigir a outro deputado com respeito e urbanidade. Ser insultuoso em relação a outra pessoa não pode chamar

nomes ordinários a outro deputado, não pode. Se houver uma situação de um

pode. Se houver uma situação de um deputado querer condicionar outro deputado, por exemplo, dizer assim: "Ah,

é feia ou é gorda ou é e não tem pés nem cabeça aquilo que é e estudo, mas na minha entrevista não pode."

Eu sei, mas eu não estou a falar assim.

Não sei que estou a falar assim, mas a liberdade de expressão é maior na assembleia do que aqui na sua entrevista. Não tenho dúvida. Se os

entrevista. Não tenho dúvida. Se os

portugueses elegerem eh um uma pessoa que é absolutamente asneirenta, ordinária e ignorante, nós vamos deixá-la livre na assembleia para dizer o que quer.

Isso toca num ponto muito importante do que é a legitimidade de cada um de nós que está na assembleia. A

responsabilidade é de cada eleitor.

Ninguém está ali convidado, ninguém entrou pela porta do lado. Não é uma situação em que não exista um mandato, pelo contrário. E eu até acho que quanto

pelo contrário. E eu até acho que quanto mais visível for a forma de intervir e de exercer o mandato de cada um de nós,

mais os portugueses, quem elege e quem vota tê e eh uma leitura correta de onde deve ou não deve votar. A democracia

tá em nós. É, mas é que está mesmo é democracia. Eh, e mesmo a democracia não

democracia. Eh, e mesmo a democracia não sendo, digamos, o regime perfeito, pode acreditar e e sei que acredita que ainda assim a pior das democracias é melhor é melhor que a melhor das ditaduras.

Estamos quase a terminar, senhor presidente. O presidente do do Supremo

presidente. O presidente do do Supremo Tribunal de Justiça disse que defendia uma maior regulamentação das redes sociais. Nós falamos isto muito no, no

sociais. Nós falamos isto muito no, no programa de hoje. Concorda com esta afirmação? Acho que é importante

afirmação? Acho que é importante discutir esse tema que toca com muitas coisas, as nossas comunicações, etc. Isso é um tema muito complicado. Acho

que a Assembleia da República eh deve discutir isso e ser o espaço onde podemos chegar um consenso a esse propósito.

Ó, senhor presidente, eh eu reparei que no seu Instagram que segue 843 pessoas, todas ligadas ao mundo da política.

Porque é que não me segue a mim, senhor presidente? H, tem o seu telemóvel.

presidente? H, tem o seu telemóvel.

Não sei do que é que está a falar. Não

tem página de Instagram?

Tenho.

Eu diria que 5857 seguidores da segunda da segunda figura de estado é muito pouco.

A partir de hoje vai ter muito mais.

Pois com certeza que vai, senhor presidente. Lá bubos é basicamente é

presidente. Lá bubos é basicamente é abrir, é como se fosse Natal.

Mas eu acho que nem conheço isto.

Ó senhor presidente, isto nas redes sociais neste momento há toda a gente doida com o que tá a acontecer neste momento.

Sei. Nem sei o que isto é. Mas diga uma coisa. Isto é o quê?

coisa. Isto é o quê?

Vou isto vou-lhe já dizer, mas tem que tá a ver aqui as cores. Qual é que qual era a cor que gostaria que saísse?

Diga-me lá. Isto é bom para eu dar ao meu net? É, é do Porto, não é o azul.

meu net? É, é do Porto, não é o azul.

Vamos ver se calha então o lá bobo. O

azul lá ver.

Vamos a isto.

Isto não parte daquelas.

Não, não, não. Isto

Oh.

É o cinzento. O cinzento,

digamos assim. Anda lá próximo.

Gosta? Achas giro? É que isto é um lá fofo. É daqueles mais baratos.

fofo. É daqueles mais baratos.

Mas isto serve para quê? Desculpe lá.

Daí vou-lhe só. Ok. Tá a ver? É isto. E

agora voulhe já o que é que também gostam disto. Presente.

gostam disto. Presente.

Neste momento 10.000 1 seguidores só no mínimo.

No mínimo. Láo. Bem,

até próxima. Obrigado.

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